sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Procuradores dizem que ilegalidades no metrô do Rio causam asco

31/08/2017 - Veja

'Montanha de absurdos'

Por Thiago Prado

Pezão e Cabral nas obras da Linha 4 do metrô (divulgação/Divulgação)

O governador Luiz Fernando Pezão pediu autorização ao Tribunal de Contas do Estado para voltar a executar as obras da Linha 4 do metrô do Rio de Janeiro.

A construção da estação da Gávea está parada por uma decisão da corte após denúncias de corrupção descobertas pela operação Lava-Jato. Faltam 700 milhões de reais para concluir a obra.

O Ministério Público ligado ao TCE se manifestou radicalmente contra a iniciativa. Mais: revoltou-se ao saber que recentemente um subsecretário-adjunto do tribunal chamado Rafael Guedes deu aval à liberação de créditos para a obra.

“Estamos assistindo a mais uma absurda tentativa de se empurrar a conta para o bolso do cidadão, que já sofre com o vergonhoso e lastimável estado de calamidade pública decorrente da péssima gestão da qual a máquina fluminense foi vítima”, afirmam quatro procuradores em documento.

As autoridades classificam o pedido de “montanha de absurdos” por dois motivos: 1) quando foi feita a concessão da linha 4 em 1998, o acordado era que 45% dos gastos fossem assumidos pelo estado e 55% pela iniciativa privada.

Em 2010, Sérgio Cabral fez uma mudança na concessão e a proporção mudou para 89% público e 11% privado. 2) A obra custou 10,3 bilhões de reais e já foi detectado um superfaturamento de 2 bilhões de reais no empreendimento.

O parecer dos procuradores carrega na tinta ao tratar do pedido: “O número de ilegalidades e de absurdos na concessão da Linha 4 impressiona e causa asco”. “É uma monstruosidade jurídica no trato do dinheiro público”.

(Atualização às 20h05: o TCE informa que “o documento assinado pelo subsecretário-ajunto está embasado tecnicamente e reflete o posicionamento da área de Controle Externo. Da mesma forma, o posicionamento do Ministério Público de Contas representa a convicção dos procuradores subscritores da peça. O processo encontra-se em análise e não há data para ser levado ao plenário”.)

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Obra da Linha 4 do metrô está parada e abandonada e manutenção do 'Tatuzão' chega a R$ 3 milhões por mês

24/08/2017 - Bom Dia Rio

TCE-RJ encontrou indícios de superfaturamento e rombo pode ser de R$ 2,3 bilhões. Canteiros de obras estão abandonados e só 42% de obra da Estação Gávea está pronta.

VÍDEO
Esperada para a Olimpíada, obra da estação Gávea do metrô está parada

As obras da Linha 4 do Metrô do Rio, que estavam programadas para serem concluídas na Olimpíada de 2016, estão paradas e totalmente abandonadas. Somente 42% da estação está concluída e o Tatuzão, equipamento que perfura o solo e que está parado desde abril, tem um custo de manutenção mensal de quase R$ 3 milhões. Segundo a Secretaria de Transportes, esse gasto é do consórcio.
As obras deveriam ter ficado prontas em julho de 2016, mas o prazo foi prorrogado para dezembro e depois para o primeiro semestre desse ano. O último prazo era janeiro de 2018, mas a obra parou, sem previsão para ser retomada, por uma decisão do Tribunal de Contas do Estado. O TCE suspendeu os pagamentos para o consórcio por indícios de superfaturamento e sobre preço. Segundo relatório do órgão, o rombo pode ser de R$ 2,3 bilhões.

A obra da Linha 4, uma das mais importantes da Olimpíada, foi recheada de polêmica e desconfiança. O custo inicial previsto quase dobrou, foi de R$ 5 bilhões para R$ 9,7 bilhões. As empresas que formam o consórcio são todas citadas na Lava Jato: Odebrecht, Queiroz Galvão e Carioca Engenharia.

Em depoimento ao Ministério Público Federal, um executivo da Odebrecht disse que o ex-governador Sério Cabral recebeu R$ 50 milhões durante a obra. Ele nega.

Abandono total

Onde antes havia um campo de futebol usado pelos alunos da PUC, em 2012, foi instalado um canteiro de obras. Há um túnel de serviço do Consórcio da Linha 4. Atrás de um portão fechado com cadeado, está o começo do túnel que liga a Gávea até o Leblon. Não há operários trabalhando e muito material está abandonado.

No lugar que funcionava o vestiário dos operários, a luz está acesa, mas não tem ninguém. O ambiente tem dezenas de sanitários e chuveiros. Todo o conjunto dando um aspecto de prédio abandonado.

Na porta do prédio onde funcionava o refeitório dos operários, há um tapete personalizado. Ainda há um cartaz com todos os horários das refeições. Café, almoço, jantar e lanche. Tinha até o turno da madrugada. Há um elevador de carga, com limite de peso de 300 quilos. Todo um grande investimento em estrutura e equipamentos e que está parado.

Outro canteiro de obras fica no estacionamento da universidade. A equipe do Bom Dia Rio visitou o local em três dias diferentes. E só uma vez encontraram funcionários trabalhando.

“A gente sempre ouvia explosões. Está tudo parado. Há mais de um ano que não funciona. Placas diziam 2016, depois 2017”, disse a professora Heloísa Carpina.

Alexandre Loja estuda engenharia mecânica na PUC. Ele mora na Lagoa e pega um ônibus para chegar até a Gávea. Apesar de os bairros serem vizinhos, ele fica até 40 minutos no trânsito. E queria muito usar o metrô.

“Eu ia chegar muito mais rápido. Não ia pegar esse trânsito todo. O trânsito é terrível. Com o metrô seria rapidinho”, disse o estudante.

“O metrô que é bom, a gente teria, mas não tem. Vamos ver. Prometeram para o ano que vem. Mas não estou vendo movimento para isso, não”, disse a professora Márcia Lopes.

Enquanto os processos correm no Tribunal de Contas Estado e na Justiça, a inauguração da Estação Gávea parece estar num futuro bem distante e sem prazo. Cerca de 19 mil pessoas podiam estar usando o metrô na Gávea, mas até agora, a obra é só despesa.

O túnel ligando a Gávea a São Conrado já está pronta. O que falta agora é o Tatuzão terminar de escavar pouco mais de um quilômetro do Leblon até a Gávea. E também concluir a estação, que ainda não chegou nem na metade, de acordo com a Secretaria Estadual de Transportes.

O prefeito Marcelo Crivella prometeu, quando foi eleito, ajudar a estação sair até o fim desse ano e criou uma comissão para estudar o assunto. Isso foi em janeiro. Até agora, a promessa não saiu da sala de reuniões.

Mesmo onde o metrô está funcionando, há problemas. De um lado do Jardim de Ala, a praça ficou uma beleza depois da obra. Mas do outro lado, grades, tapumes, abandono.

“Acho um absurdo porque a gente tem uma área de lazer abandonada, entregue aos ratos aos bichos. E era tão bonito antes do metrô. Eles prometeram a praça que assim que saísse o metrô, que iam revitalizar a praça, iam colocar equipamento de ginástica. E até hoje a gente está esperando, como muito coisa, a gente está esperando, e ninguém faz nada. É um absurdo”, disse o vendedor Luiz Otávio Pimenta.

A Secretaria Estadual de Transportes determinou que a concessionária conclua as obras de recuperação da praça do Jardim de Alá. Sobre a obra, a concessionária diz que está esperando um posicionamento do governo do estado para dar continuidade aos trabalhos. A Secretaria de Transportes diz que por determinação do TCE todos os pagamentos foram suspensos até que o órgão conclua um relatório. Só após isso será estabelecido um novo prazo retomada dos trabalhos.

Estado estuda como atrair passageiros para Linha 4

25/08/2017 - O Globo

RIO — A Linha 4 do metrô, que liga Ipanema à Barra, um dos principais legados da Olimpíada, amarga uma triste marca: com capacidade prevista para 300 mil passageiros por dia, o sistema tem atraído apenas a metade. Diante da baixa procura, a Secretaria estadual de Transportes e a concessionária Metrô Rio estudam medidas para encher os vagões. Um dos grandes entraves do transporte é o valor da tarifa, mas as autoridades não admitem, até agora, qualquer tipo de redução.

Desde que a Linha 4 foi aberta ao público em geral, em setembro do ano passado, logo após o fim dos Jogos, a concessionária e o BRT fizeram um acordo para oferecer desconto aos passageiros que usam os dois transportes. Em vez do valor cheio de R$ 8,10 (R$ 4,30 do metrô mais R$ 3,80 do BRT), o usuário da integração paga R$ 7 — um desconto de R$ 1,10. Ainda assim, a tarifa seduz pouco, uma vez que há linhas de ônibus que fazem o mesmo trajeto (Barra-Ipanema) por um valor menor: R$ 3,80.

DESCONTO, SÓ COM SUBSÍDIO

De metrô, o percurso é feito em cerca de 15 minutos, mas, em tempo de crise, a população está preferindo perder mais tempo no trânsito a desembolsar quase o dobro.

A redução do valor do bilhete poderia atrair mais passageiros, mas o BRT já adiantou que isso só seria possível com a ajuda do governo: “A integração entre os modais é resultado da renúncia das receitas das concessionárias envolvidas na operação. Com a perda diária de passageiros, a política de integração só tem condições de avançar se ocorrer o subsídio público”.

Para atrair mais usuários, a Secretaria estadual de Transporte informou que está estudando integrar outros transportes com a Linha 4. Hoje o Bilhete Único municipal não faz integração com o metrô. A Metrô Rio descarta a possibilidade de oferecer descontos, porque “o valor da tarifa está previsto no contrato de concessão e, portanto, não é determinado pela empresa”.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Usuários do metrô do Rio vão poder usar celular para embarcar e comprar passagem

26/07/2017 - EBC Agência Brasil

Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil

A partir de outubro, os usuários diários do metrô na capital fluminense poderão obter créditos para embarque e acessar informações sobre horários de partida, sem sair de casa. Por meio do aplicativo Moov para smartphones, o passageiro poderá usar o próprio celular, com uso de código, para embarcar.

A conta será abastecida diretamente pelo cartão de crédito do passageiro, sendo o valor debitado da conta criada no aplicativo. A plataforma possui canal direto de comunicação com os usuários, o que permitirá alertas sobre atrasos nos trens e estações fora de funcionamento, por exemplo. Diariamente, esse meio de transporte público transporta cerca de 880 mil pessoas.

O aplicativo foi desenvolvido pela venture builder [tipo de empresa que investe em negócios inovadores com os próprios recursos] Brave e tem como objetivo a integração entre todos os modais de transporte público, individual ou coletivo. A parceria entre a concessionária do sistema metroviário MetrôRio e o desenvolvedor da plataforma também visa a reduzir gastos com a emissão de cartões físicos, totens de autoatendimento e balcões de venda.

Atualmente, o MetrôRio tem 41 estações, duas linhas em atividade e 14 pontos de integração.



sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sistema de piloto automático da Linha 4 do metrô passa por testes

07/07/2017 - Governo do Rio de Janeiro

O secretário de Estado de Transportes, Rodrigo Vieira, percorreu, na madrugada desta sexta-feira (6/7), as estações da Linha 4 do metrô para acompanhar o serviço de testes do piloto automático. O sistema, adotado também na linha 1, reduz o consumo de energia e melhora a performance do trem, dando mais previsibilidade e regularidade à operação. 
  
Para começar a operar completamente, o sistema passará por testes operacionais, realizados pela equipe técnica do MetrôRio, em conjunto com os testes de performance, executados pela Siemens, empresa responsável pela instalação dos equipamentos. 

"Essa é mais uma etapa da implantação da Linha 4, que vai garantir ainda mais comodidade para quem utiliza o metrô. A principal percepção da população serão as paradas nas estações e saídas mais suaves. O piloto automático vai permitir extrair o máximo de performance da linha", afirmou Rodrigo Vieira. 

Segundo Constantino Battista, gerente de projetos da Siemens, a fase final de ajustes dura até o fim do mês. 
  
"As cartas liberatórias serão expedidas até final de julho, quando a operadora do metrô deve começar a fazer os testes operacionais. Com o piloto automático instalado, será possível atingir o menor intervalo de tempo possível entre as composições, melhorando a experiência do usuário", disse.



quarta-feira, 28 de junho de 2017

Metro no Rio vai sendo tomado por artistas mambembes, ambulantes e pedintes

28/06/2017 - O Globo

POR RICARDO NEVES 

Inovação nos leva para um futuro melhor e mais desejável. Desinovação é um desmonte que nos remete a um passado que não gostaríamos de retornar.

O foco deste meu blog é predominantemente inovação. No caso da mobilidade urbana, por exemplo, há algumas semanas fiz aqui um post falando muito bem da inovação VLT – o bonde moderno – que foi reintroduzido na paisagem urbana brasileira. 

Pois é, a crise e a degradação que vai tomando conta do Rio vai chegando ao metrô, onde está acontecendo aquilo que chamo de desinovação.

O metrô no Rio de Janeiro foi sempre um exemplo de serviço e espaço público operado com eficiência e respeito pelos clientes.

Inclusive tornou-se conhecida a expressão “efeito metrô”, que sintetiza a política da concessionária de induzir uma atitude positiva dos passageiros substituindo imediatamente qualquer equipamento ao menor sinal de vandalismo ou quebra, seja banco, luminária, vidro ou limpando grafites nas paredes das composições ou dos corredores do metrô e até mesmo removendo chicletes do chão.  

Essa política é que faz com que o mesmo passageiro, que vandaliza o trem suburbano ou o ônibus, quando dentro do metrô se sinta valorizado e assume outra atitude mais social e construtiva.

Mas agora os sinais são evidentes de que a crise do Rio de Janeiro está mostrando sua cara também no metrô.

Desde os Jogos Olímpicos os sinais foram aumentando, aumentando e agora já não dá mais para viajar sem conspícua e barulhenta companhia de músicos, cada vez mais mambembes e cada vez menos artistas, nem tampouco sem ouvir vendedores e também pedintes.

Infelizmente o metrô caminha para se equiparar ao ambiente padrão do sistema ferroviário que serve aos subúrbios, aquele que leva hoje o nome de Supervia e que – fique sabendo – é uma empresa Odebrecht.

No trem os camelôs se enfileiram um atrás do outro desfilando com suas mercadorias sem se incomodar com qualquer tipo de repressão. Lá o comércio ambulante é livre, amplo, geral e irrestrito. Vendem-se desde picolés a fraldas geriátricas.

É bem verdade que no metrô ainda não vi os pregadores religiosos, que seguem o modelo de profetas do Apocalipse, que são comuns nos trens suburbanos. Mas do jeito que as coisas vão indo, podemos chegar lá em breve.

Indagados sobre essa situação os metroviários dizem que o que agrava o problema é o fato de que os passageiros são contrários à repressão. Muita gente alega ter pena dos mendigos e vendedores – coitados não estão roubando!  E em relação aos músicos, existe gente que também não vê problema, afinal são apenas “jovens que alegram a viagem”.

O saldo é que cada vagão metroviário vai se tornando um espaço no qual passageiros vão sendo espremidos na competição entre artistas, que como eu disse acima, são cada vez menos talentosos e cada vez mais barulhentos, vendedores e pedintes.

Quase na terceira década do século XXI o metrô desinova e vai virando uma mistura mambembe de circo e mercado. Pena! :-(

http://blogs.oglobo.globo.com/ricardo-neves/post/metro-no-rio-vai-sendo-tomado-por-artistas-mambembes-ambulantes-e-pedintes.html

Metrô faz oferta promocional a passageiros após queda de 14,5% nas viagens

28/06/2017 - O Globo

Renan Rodrigues

RIO - A crise econômica do estado tirou passageiros do metrô: de acordo com um balanço patrimonial da concessionária do sistema, foram realizadas 46,7 milhões de viagens no primeiro semestre deste ano, o que corresponde a uma queda de 14,5% em comparação com o mesmo período de 2016, quando o número chegou a 54,7 milhões. Em números absolutos, houve uma redução de oito milhões de embarques.

Para tentar reverter o quadro, a concessionária Metrô Rio lançou nesta terça-feira um cartão promocional que custa R$ 60 e dá direito a 42 viagens em uma semana - ou seja, cada uma sai por R$ 1,40. Considerando a tarifa atual, de R$ 4,30, a economia é de 66,8% (o total sairia por R$ 180). A oferta foi anunciada como um incentivo a cariocas e turistas no período de férias, embora tenha validade até o dia 30 de setembro.

O cartão "Eu amo férias" é lançado em um momento no qual projeções de fluxo não são animadoras. Segundo o professor de economia do Ibmec Gilberto Braga, tomando como parâmetro o número de passageiros do primeiro trimestre, o sistema pode encerrar o ano com 187 milhões de viagens pagas. Caso a estimativa se confirme, haverá uma redução de 16% em relação a 2016, quando foram realizadas 216,8 milhões.