domingo, 31 de julho de 2016

Metrô do Rio tem promessa de maior expansão no futuro

30/07/2016 - G1

Cidade esperou quase 30 anos para receber mais uma linha.

Em 2018 a recém inaugurada Linha 4 irá ganhar primeira extensão.

Enquanto Nova York, Cidade do México, Paris, Londres e outras cidades do mundo têm um emaranhado de linhas de metrô, no Rio as três linhas existentes praticamente não se comunicam entre si. Em apenas duas estações, as linhas 1 e 2 se cruzam. Como mostrou o RJTV, a ideia é mudar isso no futuro.

O próximo passo do metrô no Rio é a conclusão da estação Gávea, da recém-inaugurada linha 4. A obra parou na metade devido a mudanças no projeto inicial e ficou de fora da inauguração da linha para a Olimpíada. A estação só deverá ser inaugurada em 2018.

O plano de expansão do metrô prevê que a Gávea seja ligada com as estações Carioca, Uruguai, São Conrado e Antero de Quental. Ela será o primeiro "hub" do metrô carioca, ou seja, a primeira estação interligada com várias outras ao mesmo tempo.

“A expansão na Gávea rumo à Carioca, com aproximadamente 10 quilômetros de expansão, agregaria ao sistema aproximadamente 300 mil passageiros por dia. Esse é o mesmo número da linha 4 e representa na linha 4 menos 2 mil veículos nas ruas. Fora a expansão rumo à Uruguai, onde há uma explosão de demanda rumo ao Méier, Del Castilho, Avenida Brasil”, explicou Tatiana Carius, presidente da RioTrilhos.

Segundo Tatiana, outra solução à vista é interligar as linhas do Centro da cidade. “A próxima expansão metroviária prioritária para o governo do estado é a expansão da linha 2 no trecho Estácio-Carioca-Praça XV. É uma extensão de 3,4 quilômetros, mas que representa muito para o sistema metroviário”, destacou.

Tatiana Carius defende ainda a necessidade de expandir o sistema metroviário subterrâneo como solução para os congestionamentos.

“No ano passado nós contratamos o primeiro plano diretor metroviário da história do Rio de Janeiro. O único plano, até então existente, foi um plano desenvolvido pelos alemães na década de 60 e que norteou o metrô do Rio nas linhas que a gente possui hoje, das linhas 1 e da linha 2”, disse.

Para o ex-diretor da Rio Trilhos, o engenheiro e doutor em transportes públicos Fernando Macdowell, a integração inteligente ainda não é realidade no Rio de Janeiro. “Há muita gente que não tem interesse em fazer o metrô, muita gente. Essa linha 4 do metrô da maneira que foi feita perdeu 88% da capacidade”, afirmou o engenheiro.

Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, atualmente os ônibus são quase dez vezes mais importantes nos deslocamentos pela cidade do Rio do que o metrô. Coincidência ou não, no lugar onde o metrô faz mais falta na região metropolitana, as empresas de ônibus não tem nenhuma concorrência.

A obra mais prometida da história do metrô nunca saiu do papel: a linha 3, que sairia da Praça XV, passando por baixo da Baía de Guanabara, até chegar a Niterói, na Praça Araribóia. De lá, o metrô iria até São Gonçalo, a segunda cidade mais populosa do estado, e depois a Itaboraí. Cerca de 1,7 milhão de pessoas que hoje dependem basicamente dos ônibus seriam beneficiadas.

Financiamento privado das obras

Em meio à pior crise econômica da história do estado, o investimento em Parcerias Público-Privadas (PPP) é a principal aposta do governo fluminense para alavancar a expansão do metrô.

“Acho que o momento é de criatividade, de buscar parceria com a iniciativa privada para que o metrô não seja interrompido. O metrô de Hong Kong foi inaugurado em 1979, no mesmo ano que o nosso, e hoje tem mais de 100 quilômetros de expansão, explorando o potencial imobiliário, criando shoppings ao lados de estações. É um modelo criativo e muito bem sucedido”, afirmou Tatiana Carius.

Para o secretário estadual de Transportes, Rodrigo Vieira, a linha 4 é um exemplo muito claro da força das PPP. "Nós temos aqui cerca de 10% de capital privado, R$ 1,270 bilhão aproximadamente, que financiou todo o material rodante, os trens”, explicou Vieira, que defendeu a importância de investir na expansão do metrô, destacando os prejuízos financeiros e sociais com a estagnação do sistema.

“Não avançar com o metrô tem um custo financeiro muito grande, mas tem um custo social. São 2 mil empregos que deixam de ser gerados para esse pequeno trecho de 1,2 quilômetro entre o Alto Leblon e a Gávea. A Gávea já está com 42% de execução e nós já temos túneis de serviços realizados naquela área. Não podemos parar”, afirmou.

O engenheiro de transporte Peter Alouche concorda com o secretário. “Obra parada é pior que obra não feita porque a expectativa é grande, a população vai aumentando enquanto a obra não está feita. Quando vai ser feita já saturou”, disse.

sábado, 30 de julho de 2016

Temer e Dornelles fazem viagem inaugural na Linha 4 do metrô

30/07/2016 - O Globo

Exército, PM e agentes federais reforçam segurança na Praça Nossa Senhora da Paz
   
POR CARINA BACELAR  

RIO - RIO - A partir da próxima segunda-feira, a família olímpica poderá utilizar cinco estações da Linha 4 do metrô: Jardim Oceânico, São Conrado, Antero de Quental, Jardim de Alah e Nossa Senhora da Paz. No entanto, só credenciados para os Jogos e espectadores com ingresso e que comprarem bilhetes especiais poderão usar o traçado.

Num teste, antes da inauguração, trem para na nova Estação São Conrado: Linha 4 só será liberada para a população no dia 19 de setembro e em horário reduzidoLinha 4 começa a operar a partir de segunda-feira para atender aos Jogos

A viagem inaugural foi feita na manhã deste sábado. O presidente interino Michel Temer e o governador em exercício Francisco Dornelles embarcaram na Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, e foram até a Estação Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca. Logo depois, estraram na estação o presidente da Câmara, Rodrigo Maia; e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

O primeiro a chegar ao evento foi o governador licenciado Luiz Fernando Pezão, acompanhado da mulher, a primeira dama Maria Lúcia Horta Jardim. Em seguida, chegou o prefeito Eduardo Paes, com o secretário de Coordenação de Governo, Rafael Picciani.

Ao cumprimentar carinhosamente Pezão, o prefeito fez um afago na careca do governador, em sua primeira aparição pública após a notícia da remissão completa do câncer que enfrenta desde o início do ano.

Após a inauguração, o governador licenciado afirmou que se não fosse Paes, o “Rio não teria Olimpíada”. Pezão agradeceu a dedicação de seu vice, Francisco Dornelles, a quem chamou de “pessoa extraordinária e chamou Temer de “amigo”.

— Quero abrir uma exceção e agradecer à presidenta Dilma. O último ato dela foi liberar recursos para essa obra. E um dos seus primeiros (referindo-se a Temer) do senhor foi liberar recursos para essa obra. O senhor é uma pessoa talhada para unir o Brasil nesse momento de dificuldades. Vivenciei um dos priores momentos que uma pessoa humana pode vivenciar. O linfoma é uma doença muito forte. Mas faz a gente refletir. E nesses meses eu refleti muito — disse Pezão.

Já Michel Temer disse que Pezão, Paes e Dornelles ligaram para ele 82 vezes durante seu governo interino.

— Você está melhor do que antes. Está até mais bonito — afirmou Temer a Pezão, depois de ter sido elogiado pelo governador afastado.

Nos arredores da Praça Nossa Senhora da Paz, de onde partiram as autoridades, o policiamento foi reforçado e contou com homens do Exército, da Polícia Militar, e ainda veículos da Polícia Federal.

Também foi inaugurado neste sábado o novo acesso à Estação General Osório, na Lagoa. A estimativa da Secretaria estadual de Transportes é de que, pelo acesso Lagoa, passem três mil pessoas diariamente, de segunda à sexta-feira. O volume de passageiros pode chegar a 7 mil por dia nos fins de semana, quando a Linha 4 estiver operando plenamente.

O acesso Lagoa não estava previsto inicialmente no projeto. Mas surgiram exigências de segurança para a construção de duas novas plataformas de embarque e desembarque na Estação General Osório. Era preciso implantar um túnel de ventilação e uma saída de emergência. O governo do estado resolveu, então, dar uma maior utilização ao túnel, com 500 metros de extensão, abrindo o acesso.

A Linha 4 do Metrô é formada por seis estações. A previsão é que as obras da estação da Gávea só sejam concluídas até 2018. Mas já estão sendo feitos os cálculos até de vantagens econômicas da nova ligação, que entrará em operação para a população em 19 de setembro, um dia após o fim da Paralimpíada. Tomando como base o salário médio no Rio, a população transportada pela futura via e a redução do tempo de deslocamento entre Barra e Centro/Zona Sul, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) estima uma economia de pelo menos R$ 883 milhões por ano. Em 25 anos, o valor salta para R$ 22 bilhões, recursos que dariam para construir duas linhas 4 (o custo, incluindo obras, trens e sistemas é de R$ 9,7 bilhões).


O trajeto da Linha 4 do metrô - Editoria de Arte O Globo


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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Metrô carioca custará ao governo 21 vezes mais que o previsto, diz TCE

24/06/2016 -  UOL, no Rio de Janeiro

Nova linha de metrô pode não ficar pronta para a Rio-2016 por falta de dinheiro do governo

Vinicius Konchinski

A construção da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro custará ao governo estadual 21 vezes mais que o inicialmente previsto em contrato. A obra, que corre o risco de não ficar pronta para a Olimpíada por falta de dinheiro, deveria ter sido concluída em 2003 e ter consumido bem menos recursos públicos caso tivesse sido iniciada em 1998, 11 anos antes de o Rio ser escolhido sede dos Jogos de 2016.

Essas informações constam do relatório das contas do governo do Rio em 2015 apresentado pelo TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) no mês passado. O documento foi enviado para a avaliação de deputados estaduais no último dia 31. Dezessete dias depois, o governador, Francisco Dornelles, decretou estado de calamidade pública financeira no Estado.

O relatório do TCE lembra que, ainda em 1998, o governo do Rio licitou e firmou o contrato para a construção da Linha 4 com o Consórcio Rio Barra SA. Naquela época, ficou definido que a nova linha do metrô carioca ligando à zona Sul à Barra da Tijuca ficaria pronta no final de 2003 e custaria aos cofres do Estado R$ 392 milhões.

Na obra da Linha 4, seriam aplicados outros R$ 336 milhões vindos do próprio Consórcio Rio Barra, que após a construção exploraria o serviço do metrô. O grupo era formado pelas empresas Queiroz Galvão, Constran e T-Trans.

O projeto a esse custo, porém, não chegou a sair do papel. Só após o Rio de Janeiro ser escolhido como sede da Olimpíada, em 2009, o governo resolveu retomá-lo. Em 2010, ele deu início às obras após alterar o trajeto do projeto, firmar aditivos contratuais e incluir a Odebrecht e a Carioca Engenharia no contrato.

De acordo com o relatório do TCE, a quarta modificação o contrato para a construção da Linha 4 do Metrô aumentou de R$ 392 milhões para R$ 8,4 bilhões o aporte de recursos públicos na obra. Com isso, foi alterada também a divisão entre investimentos públicos e privados no projeto.

“Com a realização dos Jogos Rio-2016, viu-se a quebra da paridade outrora existente entre os investimentos. A obrigação financeira do Estado saltou dos iniciais R$ 392 milhões para R$ 8,4 bilhões, conforme valores atualizados por meio da celebração do quarto termo aditivo”, descreveu o conselheiro José Gomes Graciosa, relator do processo sobre as contas do Estado. “Com isso, ante aos inaugurais 45%, obrigou-se o Estado a custear aproximadamente 90% da construção da Linha 4 do Metrô.”

O relatório do TCE aponta que um reequilíbrio do contrato para a construção da Linha 4 e alterações necessárias à Rio-2016 serviram como justificativa para o aumento do aporte de recursos públicos no projeto. O TCE, porém, questiona o fato de o governo não ter realizado uma nova licitação para a obra já que o serviço contratado mudou tanto desde 1998. Segundo o tribunal, alterações profundas em contratos não podem ser realizadas após a licitação.

Por conta desses fatos, o TCE recomendou que seja realizada uma auditoria, sob forma de inspeção extraordinária, na Linha 4. A recomendação consta do relatório enviado à Alerj (Assembleia Legislativa do Estado). Apesar dela, as contas foram aprovadas por unanimidade pelo Tribunal de Contas.

Linha 4 depende de ajuda federal para ficar pronta

A construção da Linha do Metrô está orçada hoje em R$ 9,77 bilhões, juntando o investimento público e o privado, de acordo com a Secretaria Estadual de Transporte. O governo ainda precisa levantar R$ 989 milhões para concluir antes dos Jogos o trecho prometido para a Rio-2016.

Em situação de calamidade pública, o governo esperava uma ajuda do governo federal para a construção. Na terça-feira, o presidente interino, Michel Temer, publicou uma MP (Medida Provisória) concedendo um subsídio de R$ 2,9 bilhões ao Estado. Esse valor, contudo, está destinado ao custeio da segurança da Olimpíada.

O governo não informou se a ajuda para segurança vai aliviar o caixa do Estado a tal ponto de liberar recursos para a conclusão do metrô. A prefeitura do Rio de Janeiro já elaborou um plano de contingência para transporte de turistas na Olimpíada caso o metrô não fique pronto. Ele envolve ônibus articulados usados nos corredores de BRT.

A Secretaria Estadual de Transportes foi procurada na quarta e na quinta-feira para comentar o relatório do TCE que cita a obra do metrô. Não respondeu. O Consórcio Rio Barra não se pronunciou sobre assunto. 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Atrasos de testes na Linha 4 podem colocar passageiros em risco, alerta TCE

Testes sem usuários deveriam durar um ano, mas só começaram este mês
   
POR LUIZ ERNESTO MAGALHÃES 

09/06/2016 - O Globo

O primeiro carro da Linha 4 do Metrô passa no chamado eixo olímpico - Divulgação

RIO — O Tribunal de Contas do Estado (TCE) manifestou, nesta quinta-feira, preocupação com a segurança dos futuros usuários da Linha 4 do metrô durante a Olimpíada. O motivo é o prazo curto para testes operacionais antes de a linha entrar em operação, no dia 1º de agosto, com a entrada restrita para a chamada “família olímpica” e o público que for assistir aos jogos.

Pelo contrato original, os testes sem passageiros deveriam durar um ano, sendo encerrados no fim de setembro de 2015. Posteriormente, de outubro de 2015 a janeiro de 2016, seriam realizados com passageiros. A operação comercial propriamente dita começaria em fevereiro. No entanto, os testes sem passageiros só tiveram início este mês, e vão durar apenas 60 dias. Além disso, os trens vão operar com sistema manual, já que a pilotagem automática só estará implantada no fim do ano.

O presidente do TCE, Jonas Lopes Carvalho, disse que a decisão de abertura ou não do metrô é política, mas que o governo deveria avaliar se o sistema é realmente seguro para ser inaugurado em agosto. Ele lembrou que outras obras tiveram problemas, como a queda da ciclovia da Niemeyer e a paralisação do VLT. Lopes acrescentou como motivo de preocupação é o ritmo intenso nas obras da Linha 4 para concluir os trabalhos no trecho entre Ipanema e a Barra.

Nesta quinta-feira, o TCE aprovou um relatório solicitando que, em 30 dias, o estado apresente documentos que detalhem os testes que já foram executados e as medidas que estão sendo tomadas para garantir a segurança dos passageiros. Cópias do relatório serão encaminhadas, entre outros órgão, ao Comitê Olímpico Internacional, ao Crea e ao Corpo de Bombeiros.

GOVERNO NEGOCIA EMPRÉSTIMO

Mas a Linha 4 ainda periga nem ser concluída por falta de dinheiro. Nesta quinta-feira, o secretário estadual de Fazenda, J href="http://oglobo.globo.com/rio/rio-negocia-liberacao-de-emprestimo-para-termino-das-obras-do-metro-19473360">ulio Bueno, participou de uma negociação no Ministério da Fazenda para tirar o Rio da lista de inadimplentes com a União e liberar o financiamento do BNDES para o término das obras. Segundo o governador interino, Francisco Dornelles, uma das propostas do estado é para saldar as dívidas com o Tesouro Nacional e com organismo internacionais por meio de um empréstimo de R$ 1 bilhão do Banco do Brasil, que já foi aprovado pelo Conselho Monetário Nacional e foi autorizado por uma resolução do Senado. Esse dispositivo permite a tomada de empréstimos para compensação de perda de arrecadação de royalties.

Como o estado está inadimplente com a União, não pode contratar novas operações de crédito. Um desses financiamentos, que é primordial para concluir as obras do metrô, ainda depende de o estado comprovar que está adimplente com o governo federal para ter o aval do Ministério da Fazenda e do BNDES.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/atrasos-de-testes-na-linha-4-podem-colocar-passageiros-em-risco-alerta-tce-19475130#ixzz4B8OVI0od 
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sábado, 4 de junho de 2016

Inadimplência do estado ameaça conclusão de obras do metrô para os Jogos

04/06/2016 - O Globo

O empréstimo de R$ 989 milhões do BNDES ainda não foi liberado porque precisa do aval do Tesouro Nacional
   
POR LUIZ GUSTAVO SCHMITT / RENAN FRANÇA

Obras na Estação São Conrado: inauguração da Linha 4 do metrô, que ligará Ipanema à Barra da Tijuca, está marcada para o dia 1º de agosto - Custodio Coimbra/15-12-2015

RIO - O cenário que parecia estar encaminhado ganhou ares de preocupação. A dois meses da Olimpíada, a inadimplência do estado com a União ameaça a conclusão da Linha 4 do metrô (Barra-Ipanema), um dos compromissos do Rio para os Jogos. O empréstimo de R$ 989 milhões do BNDES ainda não foi liberado porque precisa do aval do Tesouro Nacional. E ele só será dado se o estado apresentar documentos que comprovem sua capacidade de honrar compromissos financeiros, o que ainda não foi feito.

Em nota, o estado informou ontem que o empréstimo é “primordial” para o término das obras do metrô, que já têm 95% de execução. A inauguração da Linha 4 está marcada para 1º de agosto, quatro dias antes dos Jogos. Na sexta-feira, o secretário estadual de Transportes, Rodrigo Vieira, disse, em entrevista ao “RJ-TV”, da Rede Globo, que a obra não pode atrasar nem mais um dia.

A secretaria estadual de Transportes afirma que “aguarda o aval final do Ministério da Fazenda para a contratação do financiamento, já aprovado pelo BNDES”. No entanto, o banco e o Tesouro Nacional esclarecem que o empréstimo ainda não foi autorizado porque o governo do Rio não apresentou as garantias.

Nos bastidores do Palácio Guanabara, comenta-se que não há solução técnica para o problema. O estado tem dificuldades de caixa para pagar as dívidas com o governo federal. Anteontem, o secretário de Fazenda, Julio Bueno, e a procuradora-geral do Estado, Lucia Lea, estiveram no Ministério da Fazenda. Segundo uma fonte do governo estadual, uma das propostas estudadas seria liberar o dinheiro por meio de uma Medida Provisória do presidente interino, Michel Temer (PMDB). O mecanismo abriria caminho para o Rio se endividar, de modo a cumprir um compromisso olímpico. Contudo, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) impede a concessão de crédito a estados inadimplentes.

— Não é uma questão do estado. Essa obra diz respeito à imagem do país no mundo. Todos aguardam a conclusão, ainda que seja difícil. A solução será política e vai ser dada pela União. A bola está com o Ministério da Fazenda — disse uma alta fonte do Palácio Guanabara.

SEM MARGEM PARA ENDIVIDAMENTO

Outra questão polêmica que pode dificultar o acesso aos recursos é o limite de endividamento do estado. No fim do mês passado, um relatório de gestão fiscal dos primeiros quatro meses do ano indicava que o governo teria estourado o teto de 200% da relação entre a dívida e a receita líquida. Porém, o estado recalculou esse número, trazendo o endividamento do Rio de volta ao patamar permitido pela LRF. Com isso, a proporção entre a dívida e a receita seria de 191%.

No entanto, esse número pode variar, já que uma parte dos empréstimos foi contraída em moeda estrangeira. De acordo com um balanço publicado no Diário Oficial, há pelo menos 23 empréstimos contratados junto a organismos internacionais como BID, Bird e CAF. Entre eles, está o financiamento para o programa de despoluição da Baía de Guanabara, feito em 1994.

Trecho da Linha 4 passa por teste - Divulgação

Os problemas de inadimplência do Rio com a União se agravaram na semana passada, quando o estado deixou de pagar uma parcela de R$ 8 milhões de um contrato com uma agência francesa de fomento. O compromisso teve de ser pago pelo Tesouro Nacional, deixando o Rio numa espécie de lista de maus pagadores.

Para a economista Margarida Gutierrez, professora da UFRJ, o Rio relaxou no controle das contas públicas, e o governo federal foi cúmplice:

— O Estado do Rio relaxou. Muitos empréstimos foram tomados para pagar despesa de pessoal, quando, na verdade, deveriam ter sido investidos para ter retorno. Isso mostra que o desarranjo fiscal é enorme, e o governo federal foi negligente, permitindo tudo isso.

Professor de Finanças do Ibmec, Gilberto Braga se disse contrário a qualquer acordo político que facilite que o Estado do Rio contraia mais dívidas sem estar adimplente com a União:

— Se houver uma decisão política, eu não concordo. Cria-se um casuísmo. A decisão, embora necessária do ponto de vista da mobilidade para a Olimpíada, cria um tratamento diferenciado do governo federal para com o Rio, quando deveria haver endurecimento neste momento. Dentro do processo de reestruturação, o estado deveria apresentar um plano mostrando que está colocando as contas no lugar. Amanhã, podem aparecer outros estados pedindo ao governo o mesmo tratamento — opinou.

PREFEITURA JÁ TEM PLANO B

As obras da Estação Gávea do metrô: conclusão estava prevista para 2017 - Ivo Gonzalez - 03/12/2014 / Agência O Globo

A Secretaria estadual de Fazenda admite que o atraso no pagamento da dívida com a União ocorre devido à crise e à absoluta escassez de recursos. Somente este ano, o governo terá de pagar R$ 10 bilhões, sendo 70% à União e o restante a bancos públicos e organismos financeiros internacionais. A Fazenda diz que busca geração de receitas extraordinárias para suprir o rombo, enquanto prepara “medidas importantes de cortes de despesa”.

O ex-secretário municipal de Transportes Rafael Picciani, que assumiu ontem como secretário executivo de Coordenação de Governo do Rio, acredita que o metrô ficará pronto a tempo dos Jogos. Mas, caso isso não aconteça, ele diz que a prefeitura já tem um plano B:

— Temos o plano de contingência do BRT, que está pronto. Eu espero que não precise ser utilizado porque a população seria muito sacrificada. Como a parte física da obra está pronta, eu tenho confiança em que haverá essa liberação de crédito.

Procurado pelo GLOBO, o Consórcio da Linha 4 não se manifestou sobre a possibilidade de o empréstimo do BNDES não ser liberado. As empreiteiras Queiroz Galvão e Odebrecht, que lideram a execução das obras, também não se pronunciaram.

ARRESTO DA DEFENSORIA NÃO SAIU DO FUNDEB

O dinheiro arrestado anteontem do cofre do governo estadual para pagar salários da Defensoria Pública não incluía recursos destinados ao Fundeb, destinado exclusivamente à educação.

O Tribunal de Justiça autorizou sequestro de R$ 49 milhões do cofre estadual, preservando recursos de áreas essenciais como educação, saúde e segurança pública. Na quinta-feira, a Justiça negou um novo sequestro das contas que garantiria o pagamento ontem (terceiro dia útil) aos outros servidores do Executivo.

O tribunal estendeu decisão de maio para suspender a ação civil pública da Federação das Associações e Sindicatos dos Servidores Públicos do Estado (Fasp), que havia recorrido à 8ª Vara de Fazenda Pública. Com isso, os servidores do estado, com exceção do Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria, receberão salário no décimo dia útil.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/inadimplencia-do-estado-ameaca-conclusao-de-obras-do-metro-para-os-jogos-19441139#ixzz4AczB5dIc 
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sábado, 28 de maio de 2016

Estação Nossa Senhora da Paz está quase pronta

Metrô já instala os equipamentos para inauguração em 1º de agosto
   
POR MÁRCIO MENASCE 

28/05/2016 - O Globo

Funcionário limpa o painel da artista plástica Marina Lloyd na Estação Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. A obra é feita de azulejos, vidro e pedras - Márcia Folleto / Agência O Globo

RIO - Quem anda ao redor da Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, já pode ver os aquários de vidro que cobrem as duas saídas da nova estação do metrô, nas ruas Joana Angélica e Maria Quitéria, mas não imagina que lá dentro as obras estão todas prontas, faltando apenas a instalação de equipamentos. O GLOBO visitou o local ontem e percorreu o espaço por onde devem passar cerca de 47 mil pessoas por dia quando a Linha 4 do metrô estiver em plena operação, o que está previsto para acontecer até o fim do ano.

A inauguração oficial da estação está marcada para o dia 1º de agosto, mas, até o fim da Paralimpíada, em 18 de setembro, apenas quem tiver ingressos ou credenciais dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos poderá usá-la, assim como toda a Linha 4.

Quem entra na nova estação percebe que a plataforma do metrô fica a poucos metros de profundidade, uma diferença com relação a outras da Zona Sul, como a Cardeal Arcoverde, em Copacabana. Para os dois andares de descida entre o nível da rua e a plataforma, há ao todo 14 escadas rolantes e três elevadores. Todos eles podem ser usados por pessoas com necessidades especiais.

A NOVA ESTAÇÃO DO METRÔ EM IPANEMA

A estação Nossa Senhora da Paz têm dois acessos: pela Rua Maria Quitéria e pela Rua Joana AngélicaFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Funcionário do Metrô limpa o mosaico da artista plástica Marina Lloyd. A obra é feita de pedaços de azulejos, vidro, pedras coloridas e smalti (pasta de vidro)Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Ao todo, 14 escadas rolantes e três elevadores garantem a acessibilidade aos dois pavimentos da estação Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

De acordo com o secretário estadual transportes, Rodrigo Viera, a estação será inaugurada no dia 1º de agostoFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Quando estiver em plena operação, a estação deve receber cerca de 47 mil passageiros por diaFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

O painel "Pax" é assinado pelo artista plástico Urbano Iglesias. Ele foi construído com uma chapa de ferro de 2,5 metros de alturaFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Ao longo da estação, foram instalados três painéis com obras de artistas plásticos. Um deles, assinado por Luiz Neves e Luiz Raton, é uma espécie de linha do tempo, com a história da Igreja Nossa Senhora da Paz. O painel mede 32 metros de largura por 3,80 metros de altura e é composto por 3.059 azulejos. Outra obra, chamada de “Pax” e assinada pelo artista Urbano Iglesias, é uma escultura recortada em chapa de ferro, com 2,5 metros de altura, que fica logo na entrada do acesso pela Rua Joana Angélica. Ela mostra uma pessoa soltando a pomba da paz. A terceira, assinada por Marina Lloyd, representa a imagem de Nossa Senhora da Paz.

Menina na Praça Nossa Senhora da PazPraça Nossa Senhora da Paz reabre sem proteção no lago
Com as obras prontas, o Consórcio Linha 4 Sul já entregou a estação para o metrô Rio, que agora está instalando os equipamentos das bilheterias, câmeras de segurança e sistemas necessários para a operação.

O secretário estadual de transporte, Rodrigo Vieira, garante que esse trabalho será concluído até a inauguração. Viera defende o que chama de “operação especial”, ou seja, o período de funcionamento reduzido da Linha 4.

— Até o fim do ano, a operação dos trens será feita em intervalos de oito minutos. O dobro do que é praticado pelo metrô nas linhas já existentes, mas isso será preciso para que todos os setores se adaptem à nova linha — afirma.

Ainda de acordo com o secretário, nesse período inicial de operação da Linha 4, são esperadas cerca de 11 mil pessoas por hora tanto durante a Olimpíada do Rio, quanto depois, quando a linha funcionará apenas entre as 11h e as 15h.

— Antes do fim do ano, o passageiro ainda vai ter que trocar de trem na estação General Osório para continuar pela Linha 1, mas depois que o intervalo entre os trens passar a ser de quatro minutos, as pessoas vão poder continuar na mesma composição, como já acontece entre as linhas 1 e 2 — explica Vieira.

PRAÇA SERÁ REABERTA NESTE SÁBADO

Após quase quatro anos parcialmente fechada para a construção da estação do metrô, a Praça Nossa Senhora da Paz será integralmente reberta hoje para a população, mantendo o gradil na posição original.

Também responsável pelas obras na praça, o consórcio Linha 4 Sul refez o paisagismo do lugar, com o compromisso de entregá-lo exatamente como era antes do canteiro de obras.

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terça-feira, 24 de maio de 2016

Metrô vai funcionar de madrugada durante Jogos

24/05/2016 08:24 - O Globo

RIO - Durante os Jogos Olímpicos (5-21 de agosto) e Paralímpicos (7-18 de setembro), o metrô vai funcionar em esquema especial, com trens circulando até de madrugada. Em entrevista ao GLOBO, o secretário estadual de Transportes, Rodrigo Vieira, garantiu que a Linha 4 (Ipanema-Barra), ainda em obras, ficará pronta a tempo. O horário de funcionamento da nova ligação, durante as competições, será das 6h à 1h, de segunda a sábado, e das 7h à 1h aos domingos e feriados. Em alguns dias, os horários serão ampliados até as 2h.

A instalação dos trilhos foi concluída no sábado e, anteontem, foi feita a primeira viagem em toda a extensão do chamado trecho olímpico. Um vagão foi puxado por outro veículo para testar o gabarito da nova linha, passando em todas as cinco estações (Nossa Senhora da Paz, Jardim de Alah, Antero de Quental, São Conrado e Jardim Oceânico), que ainda estão em fase de acabamento.

— Estamos com o cronograma justo, mas alinhado, fazendo tudo baseado na segurança da operação e dos passageiros — disse o secretário, acrescentando que os testes com os trens, sem passageiros, nos trilhos energizados, começarão no mês que vem.

FALTA CONCLUIR 5% DAS OBRAS

As obras físicas, que deveriam ter sido concluídas em dezembro do ano passado, acabaram adiando o início da operação comercial, prevista, inicialmente, para 1º de junho. Depois de ajustes no cronograma, a inauguração da Linha 4 foi remarcada para o dia 1º de agosto. Até o dia 4, funcionará das 6h às 23h, segundo o secretário, que afirma que as obras estão 95% concluídas.

Durante os Jogos, só poderão usar a Linha 4 os passageiros que possuírem ingresso ou credencial, além do cartão olímpico, que dará acesso aos diferentes transportes públicos da cidade, em viagens ilimitadas, por R$ 25 (um dia), R$ 70 (três dias) ou R$ 160 (sete dias). Entre as Olimpíadas e as Paralimpíadas, a operação da Linha 4 será interrompida para ajustes e manutenção. De acordo com o secretário, a abertura da linha a toda a população será feita no dia 19 de setembro, com horário reduzido: das 11h às 15h.

Para não atrapalhar o serviço da Linha 1 enquanto a Linha 4 não estiver operando plenamente, será preciso fazer uma baldeação na Estação General Osório, onde foi construída uma nova plataforma, na altura da Lagoa. Para dar tempo de os passageiros trocarem de trens, a Linha 1 também terá seu horário de funcionamento estendido durante os Jogos, funcionando das 5h à 1h30, de segunda a sábado, e das 6h30 à 1h30 aos domingos e feriados. Ela vai atender não só o público dos Jogos mas toda a população. Já a Linha 2 passará por mudanças pontuais.

— Ao iniciar a operação de uma linha, é comum restringir horários ou aumentar o intervalo entre os trens. Estudos indicaram que não haveria necessidade de ampliar os horários da Linha 2 na maioria dos dias. Esses ajustes têm a ver com o término e início das provas. O que estamos fazendo é garantir que as linhas atendam, com qualidade, à demanda dos Jogos e da cidade — afirmou Vieira.

TRENS CIRCULANDO ATÉ 2H

Os horários do esquema especial serão ampliados dependendo do término de determinadas provas e eventos olímpicos. Nos dias 5 e 21 agosto, datas das cerimônias de abertura e de encerramento, todas as linhas funcionarão até as 2h, por exemplo. Já nos dias 6 (sábado), 12 (sexta) e 13 (sábado), somente as Linhas 1 e 4 funcionarão até as 2h. E no dia 9 (domingo), todas as linhas funcionarão no horário estabelecido para os dias úteis.

Segundo Vieira, o intervalo entre os trens da Linha 4 será de 8 minutos. Já as linhas 1 e 2 deverão operar com capacidade total durante todos os dias, com trens saindo a cada 4 minutos. O secretário preferiu não estimar quando a Linha 4 começará a operar plenamente, com intervalos de 4 minutos, atendendo 300 mil passageiros por dia.

— Vamos ter calma. A Estação Cantagalo ficou três meses operando em horário diferenciado até atingir sua plenitude. Estamos falando aqui de uma linha inteira. Vamos avaliar cada etapa da operação — ressaltou.

A inauguração da Estação Gávea, que também integra a Linha 4, foi adiada para 2018. Segundo a secretaria, as obras, que começaram em junho de 2010, deverão custar, no total, R$ 9,7 bilhões, incluindo a compra dos 15 trens, além dos equipamentos de segurança e sinalização — quase o dobro dos R$ 5 bilhões previstos.